segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Vianna Cafés - Itararé, SP

Algumas semana atrás precisei ir até Itararé a trabalho. Quando cheguei estava tarde, frio e com uma chuva fina e chata. Não foi a boa-vinda que gostaria. Na manhã seguinte veio a notícia que seria a cereja em cima do sorvete: "O evento foi cancelado!". No melhor espirito "Se está no inferno, abraça o capeta" resolvi sair do Hotel e caminhar pelas ruas de pedra assentadas, ainda durante a Revolução de 30.
Quando passei pela rua onde seria o evento resolvi entrar para dar uma olhada. Foi então que passei a entrada do Vianna Cafés. Olhei de passagem e achei o lugar interessante, bem ajeitado, mas passei reto. Depois de alguns passos resolvi dar meia volta para experimentar o café deste lugar intrigante, não poderia ser pior do que o café ralo que tomei no café da manhã do hotel, além disso, não tinha pressa para mais nada. Foi uma ótima decisão, quando entrei, fui recebido pelo proprietário Daniel, que havia percebido minha primeira passagem.
Como de costume, pedi um espresso puro e curto. Minha conversa com Daniel teve que escalar de volume, devido ao som do moedor. Café moído na hora, primeiro ponto para Vianna. Em seguida, o perfume que intoxicava o ar se revelou, pão de queijo saindo do forno, mais um ponto. No final da conversa e do café, não via a hora de voltar para a data remarcada do evento, para esta cidade cravada na serra entre São Paulo e Paraná.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Bookafé - quem avisa amigo é

Quase um ano atrás visitei uma pequena livraria/ cafeteria em João Pessoa. Ao passar em frente a Bookafé pensei "Genial! Uma cafeteria junto de uma livraria, perfeito!". Mal sabia a fria que estava me metendo. Recentemente vi que essa rede está expandindo e abrindo lojas fora do Brasil, recentemente em Londres. Por isso, antes que algum amigo cometa o erro equivocado que eu cometi, aviso que essa loja não é o que parece. Bookafé vem de Book + a fé. Para minha surpresa ao entrar na loja, não era visível uma máquina de espresso, apenas uns 3 pães de queijo amanhecidos e muitos livros de um desconhecido autor chinês (que por acaso é o dono da editora e da rede de livrarias/café que divulga seus livros).
Já que estava no inferno, resolvi abraçar o capeta. Depois de uma boa espera, finalmente fomos atendidos, pedi um cafézinho, pois avistei uma máquina em baixo do balcão. Uma daquelas máquinas que fazem tudo sozinha, mas nessa altura todas as expectativas já tinham ido por água abaixo. Enfim, quando sentamos para beber o café e comer o pão de queijo amanhecido, o mais rápido possível, fomos interrompido pela gerente. Ela veio nos dizer que não estávamos em uma cafeteria qualquer (havíamos percebido isso ao passar pela porta), mas aquele era um ambiente descontraido para disseminar o conhecimento e a palavra de Jesus. Ao sair deixou um catálogo da editora para escolhermos um título do nosso interesse e tirar qualquer outra dúvida com ela. Com isso engolimos o que restava e saimos o mais rápido possível.
Sem preconceitos, mas gostaria de ter sido avisado com antecedência sobre as intenções do Bookafé. Por isso resolvi escrever. Fica o aviso!

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Los Hermanos

Depois do último feriado de Corpus Christi não podia deixar de escrever sobre os nossos queridos irmãos do sul, os argentinos. A superioridade deles começou pelo controle da fronteira. Entramos e saimos do Brasil desapercebidos pela fiscalização da fronteira, olharam os passaportes somente quando pedimos para receber algum carimbo, mas isso não entra em conta agora. O assunto é o jantar na casa La Rueda em Puerto Iguazú, que foi recomendada por um querido amigo.
Tínhamos grandes expectativas para o jantar, e todas foram superadas. A carne estava divina, o ponto perfeito e a textura de manteiga quente. Sem exagero, estávamos comentando se eles não iriam trocar o talher para um de churrasco como estamos acostumados aqui no Brasil, uma faca Guinzo para termos a impressão que a carne está se desfazendo, mas os boludos, só para mostrarem sua superioridade churrasqueira, deixaram a faca de manteiga para o prato principal, e esta, deu conta do recado sem nenhum problema. Depois veio a sobremesa, um crepe de doce de leite que estava fabuloso! Tudo isso regado com uma garrafa de Malbec da bodega que eles chamam de "Luixi Bocca" (Luigi Bosca).
Só para testar nossos hermanos, não podia deixar de pedir um cafezinho ristretto, para testar todo o arsenal dos nossos vizinhos tomadores de Mate. Não surpreso, vi que o café não estava bom, mas tenho que admitir que já tomei muitos piores por aqui, e como o cafezinho não faz parte da cultura deles tanto quanto a nossa, acho melhor deixar passar, pois no que eles se comprometem a fazer bem feito, saiu melhor que a encomenda.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Outback

Depois de muito tempo sem ir nesse restaurante que proporcionou tanta alegria nos tempos de colegial e faculdade, estava com saudades do gosto de churrasco artificial banhado a molho barbecue. Por isso pensei: "Nada melhor que chegar de viajem e jantar no Outback."
Para minha surpresa cheguei e não havia a costumeira fila de 1h de espera e nos incaminharam direto à mesa. Quando sentamos começou a decepção. A demora no atendimento não se justificava, pois ainda não era hora do rush. Mas sem problemas, pensando não ser algo fundamental para um local que prima pela qualidade e consistência dos pratos, do mesmo jeito que uma criança acha que os pais são apenas os mensageiros do Papai Noel, pois o pobre velhinho não consegue viajar o mundo em uma noite mesmo com os diferentes horários.... enfim.
Quando finalmente pedimos o prato, este foi entregue em menos de 5 minutos! Finalmente iria matar a saudades daquela costelinha que derrete na boca, que pode ser fatiada até com uma faca de manteiga, e o molho BBQ doce... Só que hoje não. A costela estava dura, a batata fria, e ainda bem a faca não era de manteiga. Prontamente a gerente se propôs a trocar, mas foi em vão. Depois dessa decepção, tinha visto algumas xícaras Illy passando e por se tratar de um dos melhores cafés do mundo (quando bem feito) resolvi pedir um mesmo com todos os sinais apontando para sair dali o mais rápido possível.
Como era de se esperar, o espresso curto estava quase transbordando da xícara, com uma aparência de café coado... nem foi preciso experimentar. Vai levar mais um bom tempo para voltar lá.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

No escritório

Café da manhã bem preparado é o melhor jeito  para começar o dia com o pé direito. Por melhor que seja o ritual de início do dia é inevitável o encontro com um cafezinho de garrafa térmica, um café reciclado (quando o mesmo pó é coado repetidas vezes para economizar nas despesas). Enfim, são muitas heresias cometidas com essa sagrada bebida.
Café é o ouro preto original, expressão adotada pela indústria petrolífera no século XX. Além do apelido ambos são combustíveis da sociedade moderna, um para os meios de transporte enquanto o outro alimenta a mente de milhões de trabalhadores diariamente. Seria difícil aguentar uma jornada de trabalho sem uma relaxante pausa para uma prosa e um cafezinho. O café é um mal necessário para a nossa classe proletária, sem ele não seríamos capazes calçar os sapatos de manhã, seria inviável manternos acordados em certas reuniões, e muito menos redigir um relatório no fim do dia. Nessas situações tomamos café simplesmente pelo efeito energético da cafeína, pois na situação econômica global empresas e sindicatos não estão preocupados em exigir um café de alta qualidade para a classe proletária, uma máquina de café decente que seja sempre capaz de fornecer um café fresquinho quando mais precisamos. Quem sabe na próxima revolução industrial...

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Santo Grão

Nada melhor que começar uma quinta-feira desde os primeiros minutos, por causa de uma maravilhosa insonia causada por causa de uma degustação de café que começou as 19h da quarta-feira.
Ontem no começo da noite resolvi parar em uma das torrefadoras pioneiras do mercado de cafés espaciais no Brasil, o Santo Grão. Depois de muito tempo sem visitar a loja original na Oscar Freire, precisava comprar café para casa, estava na região, preso no trânsito então resolvi encostar o carro numa vaga na rua e andar até a cafeteria.
Como de costume estava cheia de gente jantando, já que eles também oferecem um menu bem diversificado. Fui direto ao balcão junto à torrefadora Lilla e comecei a entrevistar o barista sobre grãos disponíveis no momento.
Infelizmente o Yirgacheffe da Etiópia só é disponibilizado para consumo na loja, foi assim que começou a maratona de provas que fez parte do processo de decisão da compra. Enquanto aproveitava a companhia do vizinho de balcão, o barista trazia sem que fosse necessário pedir os diferentes grão para provar, sempre acompanhado de uma breve descrição de onde o grão vinha, e quais suas características gustativas.
Depois de mais de uma hora de provas e bate-papo, sai do lugar com meio kilo de grão, muita cafeína no sistema e uma grande satisfação como consumidor e amante de café.
Quem estiver na região com tempo livre, vale a pena parar. O balcão sempre rende mais conversa que o serviço de mesa.
Fica a dica.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Pé na estrada

Existe um grande problema para quem gosta de viajar, ou precisa viajar por causa do trabalho, especialmente se a viagem for de carro. Os estabelecimentos de beira de estrada nunca foram famosos por sua culinária excepcional, e requinte gastronômico, mas bem que podiam caprichar no café de coador!
Não sei o porquê do descaso com nosso tão sagrado grão, mas depois de algumas horas na estrada, um pit-stop básico para despertar novamente os ânimos é fundamental para qualquer viajante. Porém não é com pouca frequência que essas paradas são seguidas por um arrependimento: "Não devia ter comido aquela coxinha..." ou "Nossa Sra! Nunca tomei um café tão ruim na vida!".
Pensando na logística do negócio, buteco e posto de beira de estrada estão no lugar mais estratégico possível para receberem entregas frequentes de produtos frescos e de qualidade. Então por que não usar essa vantagem estratégica para o benefício do negócio e dos consumidores? Ficariamos muito agradecidos.

terça-feira, 19 de março de 2013

Adoçar ou não adoçar?

Depois de umas férias prolongadas, aproveitando o tempo livre para tomar uns cafezinhos em boa companhia, conversar e refletir, encontrei uma dúvida comum entre alguns amigos.
É errado colocar açúcar no café?
A resposta é não.
Colocar açúcar no café é tão errado quanto colocar açúcar em suco de laranja, tem gente que prefere assim. Já que gosto é relativo, vamos entrar na questão objetiva que ronda essa dúvida. Puritanos do mundo do café vão falar que açúcar é errado, que café não precisa de açúcar. O problema é que a maior parte do café que encontramos por aí são de péssima qualidade, amargo, adstringente, mal produzido na fazenda, mal torrado e mal extraído. Nesses casos, quanto menos sabor do café vocês sentir melhor, então mistura leite, açúcar, xarope com sabores, e tudo que estiver pela frente.
Para nossa sorte esse não é o caso de todos os cafés. Existe o grupo dos cafés especiais, que idolatram o grão mágico do café, e o trata com amor e carinho em todas as etapas da produção. Nesse seleto cenário, o açúcar entra como coadjuvante, um primo distante do café, raramente lembrado.
A origem desse debate vem do fato de que o café é uma fruta, parecida com uma cereja, e por isso ela é naturalmente doce. Mas como toda fruta, o café nem sempre é colhido corretamente, e durante o processo de fermentação cria-se fungos que alteram o sabor, entre muitas coisas que podem afetar o sabor final se os cuidados apropriados não forem tomados. Como dizia um grande sábio, "Uma boa xícara de café é um verdadeiro milagre".
Mas fica a dica para quem quiser diminuir o amargor da próxima xícara de café, uma pitada de sal é um jeito muito mais eficiente de eliminar sabores amargos.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Rubaiyat Faria Lima

Para começar o ano em grande estilo, vamos começar com uma casa que é autoridade quando o assunto é carne. Infelizmente o mesmo não vale quando mudamos o assunto para café. Não vamos entrar no debate da história do restaurante, influência na melhora das carnes oferecidas pela concorrência nem na qualidade da comida oferecida.
Quando me sentei a mesa e o couvert foi servido, já fiquei maravilhado com o chorizo espanhol servido recém fatiado, o pão fresquinho ainda quente e os tradicionais pães de queijo da casa. A carne veio do jeito que eu gosto, pouco antes do ponto, acompanhada das históricas batatas soufle deles (que na minha opinião deveriam ser declaradas patrimônio da humanidade pela UNESCO).
Agora chegou a hora da verdade. O cafezinho e a conta. Quando chegou o cafezinho tradicional, na taça da Nespresso, vi todo o esforço daquela refeição ir em vão. No duelo das hamburguerias foi o Nespresso que ganhou, mas uma hamburgueria não tem muito comprometimento gastronômico, então não existe essa expectativa com técnicas de preparo e outras coisas. Mas quando um restaurante comprometido com qualidade, com sua história e que é uma referência na cidade, começa a servir café em cápsulas (parece coisa de astronauta) me pergunto: "Quando eles vão começar a servir comida de microondas?".